terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Massano Júnior, o Rei dos Tambores: “A juventude tem feito coisas interessantes”

Importante figura da cena musical angolana, Massano Júnior celebrou mais um aniversário junto de amigos e familiares. O homem do Marçal nasceu no dia 10 de Novembro de 1948. Os seus aficcionados, desde Abril deste ano, mês em que foi lançado, perguntam invariavelmente: onde encontrar o álbum "Kizua"? O caderno Fim-de-Semana esteve à conversa com Massano Júnior e começou logo pela interpelação sobre o "paradeiro" da sua obra discográfica. O músico, com uma postura aberta, respondeu sem rodeios a todas as perguntas. Convidamos o caro leitor a mergulhar um pouco, com Massano Júnior, na história da música angolana 
Em Abril lançou “Kizua”, muito procurado e solicitado, que marca o seu regresso discográfico. Quais as razões da falta de disponibilidade da obra no mercado?
O disco foi uma iniciativa de meus familiares, que fizeram todos os esforços no sentido de materializar a gravação. Eu apenas procurei seleccionar os músicos da minha conveniência, com a ajuda do Dulce Trindade. Os meus familiares recorreram ao Jorge Cervantes, que esteve aqui e gravou nos estúdios Marimba.
É caso para dizer que o disco “Kizua” também apareceu de caxexe…
(Risos) Está sob responsabilidade dos meus familiares. Eles adoptaram uma política em relação ao disco que eu desconheço e eu prefiro manter-me a espera de outros desenvolvimentos.
“Kizua” é um filho que não está sob sua responsabilidade?
Está entregue em muito boas mãos. Eles estão a dar o seu melhor. Quanto à distribuição só eles sabem, mas vou ter de estar um pouco mais por dentro, para satisfazer os pedidos. Aos meus admiradores prometo que iremos agilizar o processo, não aguento mais as solicitações e as exigências que me são feitas.
Olhando para a produção do disco, de facto, a sua família esteve muito envolvida. A que se deveu isso?
Sou o patriarca dos Massano e sempre tive uma boa relação com os meus familiares. Isso até está reflectido na canção “Anami”. Perdi os meus pais cedo e, como mais-velho, tive de cuidar de todos, trabalhar duro. Talvez por isso o gesto deles. E também por isso não estou preocupado com as questões administrativas. Eles são pessoas suficientemente formadas, tudo o que sou também devo aos meus filhos e irmãos. Eles organizaram a apresentação do lançamento do disco e ofereceram aos presentes.
O que podemos encontrar no álbum?
Apenas recordações de temas antigos que marcaram a minha carreira. No próximo, que estou a preparar, penso apresentar temas novos, porque nunca deixei de compor. Isto está na alma…
E “Minga” é o tema de abertura do disco que também retoma “Anami”… Sim. “Minga” está sem aquele toque do órgão do Tony Galvão, mas penso que está com o mesmo sentimento. O tema “Anami” é dedicado aos meus filhos. Foi numa época em que acabava de chegar do exterior, depois de os ter deixado. A vida estava difícil e eu tentando estabelecer-me…
Falando em “Anami”, há tempos o jornalista Gilberto Júnior, na rubrica “Ripiti”, do “Poeira no Quintal” da RNA, colocou a tocar uma das primeiras, e pouco conhecida, versão deste tema com andamento reggae…
Sim, foi feita no tempo do Instrumental 1º de Maio. Os arranjos foram do Teddy e do Mogue. O Instrumental 1º de Maio era uma formação versátil e tocava tudo.
Assim como o seu lado sentimental…
Sim. Esta é a minha marca melódica, mas também posso sair dela. Tenho canções mais dançantes como “Sunga Sunga”.
Músicas novas? E com quem vai trabalhar?
Mais uma vez com o Dulce Trindade, que é um músico que eu admiro.
É impressão nossa ou está sempre rodeado por músicos do Marçal, Rangel e Bairro Operário? Os do Prenda não contam?
Vocês gostam de problemas. O Zé Keno passou pelos Africa Show e eu cantei numa homenagem aos Jovens do Prenda. Pode parecer coincidência. O Zeca Tirilene é uma sumidade, toquei muitos anos com ele e grande parte dos meus sucessos têm o seu toque.
Aquando da apresentação do seu disco, outros artistas interpretaram as suas músicas…
Mas eu cantei quatro músicas. Como a produção esteve a cargo do Dionísio Rocha, eu tive que respeitar.
O que mais temos nesta obra? Tirando a parte musical, consta um DVD produzido pelo incansável Nguxi dos Santos, que também fez a cobertura, pela Internet, do lançamento do disco.
Falar de Massano Júnior remete-nos ao movimento cultural do tempo das turmas em bairros como Rangel, Marçal, Operário e outros. Como foi que tudo começou com o miúdo do Marçal?
Fui inspirado pelo Mangololo, que era um grande tamborista. Pertenci à turma dos Vagabundos do Bairro Marçal, com o Zé Maria, Victor da Poupa Russa, Zé Moranha, Kavulanga e outros, que infelizmente já morreram. Depois juntei-me ao Kipuca e formei Os Kipukas e os Seus Malambas. Em 1967 Dionísio Rocha foi buscar-me ao Rangel, onde morava, para participar nos Negoleiros do Ritmo, em 1968. Posteriormente entro para a vida militar e formo então o África Show.
Uma curiosidade.
Os Negoleiros do Ritmo tinham como tamborista o grande Joãozinho Morgado e Massano Júnior era a outra fera. Poucos imaginam que tenham partilhado os tambores no mesmo grupo e na mesma época?
Parece mentira, mas é verdade. Formámos uma boa parelha e entendíamo-nos muito bem. Quem sabe voltaremos a repetir para a actual geração…(risos).
É incontornável falarmos do África Show…
Sim. Actualmente tem dois sobreviventes, eu e o Zeca Tirilene. Nós introduzimos o órgão na música angolana. Teta Lando, Tony Galvão e Belmiro Carlos são nomes que passaram pelo África Show.
É verdade que o África Show tinha um outro tipo de público e que apenas tocava no asfalto?

(Foto: D.R.)
Infelizmente algumas pessoas diziam que éramos da elite, mas nós tocávamos em todo o lado, Sambizanga, Rangel, enfim. Mas éramos assim rotulados. Éramos todos do Marçal e do Rangel e não sei qual seria o mal de levarmos a nossa música para o asfalto. Penso que havia toda a necessidade, para os portugueses, terem contacto com os nossos ritmos. Olha que já naquela altura o Elias dya Kimuezo era o baluarte, por isso procurávamos exportar a nossa música para o outro lado. O África Show também teve uma forte componente de grupo de acompanhamento, por exemplo, com o Zé Viola. E outros.
Enquanto isso, o tamborista Massano Júnior também se destacou como um grande intérprete…
Exactamente, por causa do espiritual angolano…
Espiritual angolano?
Tudo por uma questão sentimental. Quando comecei a cantar acabava de perder a minha sogra, Minga, e é assim que a minha primeira composição foi dedicada a ela.
Neste conjunto Massano Júnior, com um passado bem assente na música angolana, junta-se a instrumentistas de uma escola diferente, a do então Zaire. Como foi a adaptação destes aos nossos ritmos? Eram músicos excelentes e dedicados.
Por exemplo, hoje não se encontra um solista como o Teddy Nsingi, nem um baixista como o Mogue. São casos raros. Olha que nos grandes concertos deste país o Teddy é uma presença constante. Ele é um estudioso da música angolana.
E aquela imagem do Massano Júnior com os quatro tambores em palco, era apenas estilo?
Não. Eu tocava mesmo os quatro tambores e ainda toco hoje, se for necessário.
Em que circunstâncias entra no Instrumental 1º de Maio? Quando regresso ao país o Sabú Dinis, na altura, era um responsável da UNTA. Ele fez a selecção dos músicos, conhecia o meu passado como artista e a situação em que me encontrava.
É engraçado como as mudanças no país também mudaram a designação do grupo…
Passámos para Semba África porque eram muitos elementos no Instrumental 1º de Maio.
nestes espaços.
“Meninas de hoje”, um dos temas mais marcantes de Massano Júnior, chegou a esta nova geração pela versão de Caló Pascoal. O que achou da concepção rítmica? Não fugiu ao espírito e não criou grandes invenções. Ele é um artista versátil, sinceramente senti-me lisonjeado. Coisas desta natureza merecem o meu apoio.
Parece que é da mesma opinião do seu falecido amigo e companheiro Teta Lando, quanto às versões, feitas pelos jovens, de sucessos do passado. Isso mesmo quando elas são feitas sem uma comunicação prévia?
Penso que não custa nada pedir a autorização. Agora, quanto a interpretar a minha música, podem interpretar livremente, mas, repito, não custa nada pedir. Por outra, saibam que ninguém está proibido de cantar a música do outro, há apenas procedimentos a seguir, como o facto de anunciar o autor, e outros, à luz dos direitos autorais.
Há jovens que quase vivem de sucessos de canções antigas. Como vê isto?

José Massano Júnior: “Hoje não se encontra um solista como o Teddy Nsingi, nem um baixista como o Mogue. São casos raros. Olha que nos grandes concertos deste país o Teddy é uma presença constante. Ele é um estudioso da música angolana”. (Foto: D.R.)
Também tem o seu lado bom. Olha que, por vezes, dão-nos trabalho e trazem-nos para um público novo. Dão a conhecer artistas e canções que os mais novos, de outro modo, dificilmente conheceriam, ou não conheceriam mesmo. É também assim noutras paragens. Mas é lógico que devem criar bastante. Olha, faço uma vénia aqui ao Yuri da Cunha, que pegou em temas de Artur Nunes e os pôs novamente na ribalta. É louvável e merece todo o nosso elogio. Jovens como o Yuri da Cunha estão a levantar defuntos.
Então a nossa música está no bom caminho?

Massano Júnior, sobre a UNAC-SA: “É uma instituição pobre e só Deus sabe como encontrei aquilo. Usei recursos próprios enquanto aguardávamos a verba, o orçamento que o Estado dá através do Ministério da Cultura, que não chega. Com a ambição de meia dúzia de indivíduos chegámos a esta situação, e lá até existem pessoas que nem sequer são artistas. Eu sempre fiz parte da UNAC e passei à presidência à luz dos estatutos, com a saída do presidente eleito, o Dr Arnaldo Calado. Gostaria de referir que o Belmiro Carlos fez muito pela instituição”.
(Foto: D.R.)
Acho que sim. Nos aspectos técnicos a juventude tem feito coisas interessantes na música angolana. É preciso que tenhamos a coragem de dizer que sem os jovens músicos isto não vai sobreviver, não seremos apenas nós, artistas antigos, a fazer isto.
Mas, kota Massano, quando olhamos para o panorama vemos que existem pouquíssimos executantes de dikanza e de tambores, instrumentistas que são determinantes, não obstante o grande numero de intérpretes…
Sim, são a base da nossa música. A dikanza praticamente desapareceu, ela que já era um instrumento frágil. Há aí uma nova geração de tamboristas que é de se lhes tirar o chapéu, como o Correia da Banda Movimento e o Chico Santos, Recordo que o Julinho quase já não toca, o Joãozinho Morgado continua no activo e eu às vezes toco… Apesar deste quadro, sou positivo.
Mesmo a contragosto, a UNAC não tem como não entrar nesta conversa… Sim. Infelizmente optei por afastar-me da direcção, porque sou um indivíduo que não gosta de confusões, não que eu fuja à luta mas prefiro evitar certas coisas.
É uma instituição pobre e só Deus sabe como encontrei aquilo. Usei recursos próprios enquanto aguardávamos a verba, o orçamento que o Estado dá através do Ministério da Cultura, que não chega. Com a ambição de meia dúzia de indivíduos chegámos a esta situação, e lá até existem pessoas que nem sequer são artistas. Eu sempre fiz parte da UNAC e passei à presidência à luz dos estatutos, com a saída do presidente eleito, o Dr Arnaldo Calado. Gostaria de referir que o Belmiro Carlos fez muito pela instituição.
Mais uma vez, obrigado pela disponibilidade…
Eu é que agradeço. Afirmo que aceitei abrir-me porque tive boas referências tuas. Antes falei com alguns amigos que me disseram que valia a pena conversar contigo. Também gosto dos destaques do caderno Fim-de-Semana do Jornal de Angola. Estarei sempre à vossa disposição.

“Gosta de congregar e mitigar sofrimento”

” Kizua” não é apenas um trabalho áudio. A obra está acompanhada por um DVD produzido por Nguxi dos Santos, onde Massano Júnior, familiares e colegas falam do seu percurso. Do documentário, apresentamos aqui alguns depoimentos, onde os intervenientes não falam apenas do autor, mas ajudam a compreender o movimento cultural envolvente.
Massano Júnior – “Fiz os meus estudos no Lobito. De regresso a Luanda instalei-me no Marçal… Participava nos recitais organizados pela Albina Assis e ganhava sempre… Fui convidado pelo Dionísio Rocha para substituir o Joãozinho nos Negoleiros do Ritmo e começo a ver uma luz no fundo do túnel na minha vida musical… Recebi um convite do Duo Ouro Negro e, na companhia de Carlitos Vieira Dias e do baixista Mário Bento, participamos na revista Blackground Internacional, uma companhia de teatro. Depois regresso e crio o África Show… Muitos não queriam a introdução do órgão, mas eu sempre disse que a música devia evoluir e que era necessária a introdução de instrumentos modernos… Eu era tratado como o espiritual e o África Show o conjunto espiritual angolano.”
General João Pereira Massano (irmão) – “Perdi o pai muito cedo e ele cuidou de mim, é o único pai que tive… Ele é o pilar em que eu sempre me revi, é um exemplo. Estou com ele e com ele vou até às últimas consequências.”
Dionísio Rocha (músico) – “Ele cria o África Show numa fase em que os elementos dos Negoleiros vão para a tropa. Nessa época de pausa, ele forma o seu próprio conjunto.”
Carlos Lamartine (músico e compositor) – Massano quando chegou do Lobito estava interessado no movimento cultural… O África Show era um conjunto modernizado.”
Manuelito (músico) – “Ele funda o conjunto com intenção de criar um estilo novo… Ele preferia espaços onde pudessem compreender a interpretação do reportório do grupo.”
Santos Júnior (músico) “Pertencemos ao grupo Estrelas Negras… Ele ajudou muito os elementos do África Show, já tinha um certo protagonismo junto das casas de equipamento musical, foi ele que adquiriu o primeiro aparelho do grupo. Para segurar os membros, comprava motorizadas para se deslocarem aos recintos de espectáculos… Tocava com os pés, a cabeça… Era chamado Rei Massano das Tumbas…”
Galiano Neto (músico) “É importante que indivíduos como Massano gravem e deixem obras, porque não são muitos os que ainda podem deixar-nos o legado e a verdade da música angolana.”
Dom Caetano (músico) – “Gosta de congregar, de apaziguar, gosta de mitigar sofrimento.”
Caló Pascoal (músico) Foi importante estar junto com Massano e sentir a alma do autor… Eu pretendia que ele interpretasse a música “Meninas de hoje”. Levei-lhe a gravação com a minha voz-guia e ele preferiu que esta ficasse.” (Jornal de Angola)
Por: Analtino Santos

Noites de escangalho com Ary

Duas noites de escangalho, com Ary no palco do Show do Mês, deixaram os “showistas” rendidos ao seu perfume musical. O roteiro musical começou com “Paga que paga”, que fala do indivíduo que era bom pagante fora de casa enquanto os filhos no lar nada tinham, e encerrou com o tema sobre violência doméstica “Betinho”, com outros, pelo meio, a destaparem outras vivências do quotidiano.



Fotografia: DR
A importância de uma apresentação familiar no relacionamento esteve patente na música “Tónico” e o ciúme e o medo em “Não me faças desistir”. Duas das primeiras canções da carreira de Ary não “escaparam”: “Meu grande amor” e “Não pergunta muito”, também conhecida por “Meu patrão”, proporcionaram um recuo de cerca de uma década.
Mig, convidado, fez uma canjinha no seu grande sucesso “Maka mami”. Ary, vestida a bessangana, devidamente “produzida” pelo grupo carnavalesco União Mundo da Ilha, partilhou também o palco com os Nguami Maka, grupo de música ancestral, que deram o seu toque típico em “Nguxi” e “Manazinha”, dois temas muito conhecidos nas vozes de Belita Palma e Dina Santos.
Acácio pisou também o palco e, sem a companhia de Ary, brindou o público com “Siluvangui” e “Abigbedoto”, adaptações de temas africanos que conquistaram as pistas angolanas. Ary, de regresso ao palco, revisitou temas de outros, nomeadamente “Tá amarrado”, composição de Kintino, “Deception” de Lutchiana Mabulo e “Despedida de lar”, de Beto Cruz.
Seguiram-se momentos em que Ary recuperou músicas que definiram a sua carreira: “Monami”, “Mona kinguixi” e “Candinha”, esta original de David Zé, que era a canção de ninar do filho da cantora. A interpretação de “Nem às paredes confesso”, “Para uso exclusivo” e “Amor roubado”, ou seja, o fado de Amália Rodrigues, o samba de Alcione e a balada do moçambicano Guilherme Silva, provou a versatilidade de Ary.
O tema “Assim é que é” teve uma recepção tímida por parte da plateia, que reagiu de modo diferente em relação aos sucessos “Escangalha”, “Carta de amor” e “Funge na cachupa”, cantados em uníssono e com forte vibração.
Na primeira noite era visível o esforço da artista para ajustar-se ao formalismo da sala, “kanjonjando” o seu lado irreverente. Mas na recta final surgiu o momento, como diriam os brasileiros, “liberou geral”, com muita festa e espontaneidade, as marcas da actuação de Ary: a miscelânea que juntou “Ngapa” dos Irmãos Almeida, “Esse madié” de Eduardo Paim e “Betinho” da própria Ary, não deixou ninguém indiferente.
Yark Spin foi o solista em destaque, na ausência do Mestre Teddy. Pepelo fez o que habitualmente tem sido responsabilidade de Yark Spin e também solou em alguns temas, numa banda onde Mayo Bass preencheu as cinco cordas de Mias Galheta, o principal baixista do Show do Mês. Os jovens Benny nos teclados, Alexandre na percussão, o trio dos coros Raquel Lisboa, Neide da Luz e Tchilo, a secção de cordas, e Jack na bateria, comprovaram a aposta da produtora Nova Energia em jovens instrumentistas, sob o olhar atento do experiente percussionista Xico Santos e supervisão do trio de sopristas cubanos.
Constatação
Não é fácil montar um concerto com uma artista com tantos sucessos e parcerias marcantes. Titica partilhou criativamente com Ary “Pelo menos 50”, Baló Januário produziu “Papá fugiu”, que consagrou Ary ao fazê-la conquistar, pela segunda vez, o Top dos Mais Queridos. Heavy C foi determinante na carreira da musa ao assinar sucessos como, por exemplo, “Não me faças desistir”. Ary fez dueto com Yuri da Cunha em “Não pergunta muito”. Tudo isso e as parcerias da cantora, em estúdio ou em palco, com Puto Português, Karina Santos, Paulo Matomina, Kyaku Kyadaff, e outros, dão prova da sua extrema sociabilidade e extroversão. Que tem reflexos, naturalmente, na diversidade, abertura e plasticidade da marca Ary.
A artista tem os seguintes discos publicados: “Sem substituição”, “Crescida mas ao meu jeito” e “10”.
Fonte- Jornal de Angola

Muzonguê chora e canta Chico Montenegro

No Centro Recreativo e Cultural Kilamba, o excepcional Muzonguê da Tradição no dia 11 de Novembro, em homenagem ao Chico Montenegro foi uma festa que de certeza a nova estrela que juntou-se ao conjunto de cima agradeceu. A orquestra Jovens do Prenda e não banda como Baião e colegas afirmam, Dina Santos, Tony do Fumo Filho, Robertinho, Dom Caetano e Augusto Chacaya estiveram no seu melhor
Com sala cheia, a maior desta temporada, foi emocionante ver a família agradecer pelo  apoio prestado por companheiros do conjunto, citando Didi e o actual presidente da Comissão de Restauração dos Jovens do Prenda, não foi apenas a filha que chorou, gente da plateia também, um misto de tristeza e alegria.
Um dos grandes momentos aconteceu quando Mizinga e Augusto Chacaya fizeram uma rapsódia com os principais sucessos de Chico Montenegro, dentre os quais: “Lucinda”, “Teté”, “Isabel”, “Bolero Jovem” e “Passagem do Rio”.
A música ao vivo começou com os Jovens do Prenda brindando com um instrumental e depois acompanhando a primeira convidada, Dina Santos. Os conhecidos “Anel” e “Kassequel” marcaram a sua entrada triunfal e fechou com um tema que marca o carnaval, com os jovitos a darem o toque da já extinta, Semba Tropical, uma banda prestigiada.
Tony do Fumo Filho recordou os sucessos do seu pai, fundador do conjunto, e apresentou um tema novo.
Robertinho também esteve presente, um antigo colega de Chico Montenegro no agrupamento musical Aliança FAPLA-Povo. Apresentou temas marcantes do seu reportório como  “Desespero”, “Samba”, “Sessá” e “Kalamaxinde”.
Didi da Mãe Preta, um histórico dos Os Jovens do Prenda fez maravilhas com a sua dikanza, ez estremecendo o espaço como sucessos como “Rumba Mexilhão” e “Aiué Ngongo”
Dom Caetano também ajudou a manter o nível da actuação, recordou que entrou no conjunto na altura com 27 anos, por sugestão de Gabi Monteiro, apadrinhado por Chico Montenegro e aceite pelo exigente Zé Keno,  época em que ensaiavam casa de Augusto Chacaya. Recordou “Nova Cooperação”, “Adeus a Hora da Largada”, fechando com  “Tia”.
Como tem sido quase uma tradição para encerrar a música ao vivo, Augusto Chacaya foi o último artista a subir ao palco do Kilamba. A comovente “Santa iami” não fez chorar como “O tempo passa”, um original de Zecax que levou aos prantos o baterista Juca dos Kiezos, consolado por Dulce Trindade.
Considerado o Rei do Bolero angolano, Francisco Miguel António, Chico Montenegro, nasceu a 2 de Outubro de 1952 e morreu no dia 12 de Outubro corrente, o dia que em 1968, ele,  Zé Keno, Didi da Mãe Preta, Verry Inácio, Zé Gama, Luís Neto e Tony do Fumo, fundaram os Jovens do Prenda. Em 1974 Chico Montenegro pertenceu ao Aliança Fapla-Povo, importante grupo da canção revolucionária, onde nomes como David Zé, Urbano de Castro, Artur Nunes, deixaram as suas marcas, época que os Jovens do Prenda estavam parados. Em 1982 foi um dos principais responsáveis para o regresso da formação e em 2016 teve fortes influência na reunificação dos elementos dos Jovens do Prenda. Era um homem  unificador, pacificador, um criador de pontes e consensos. O Muzonguê regressa no dia 15 de Dezembro com Bonga, para encerrar em grande 2019

Fonte: Mukanda

Dipanda celebrada com Jazz e Semba no Palácio de Ferro


A Fundação Sindika Dokolo teve duas propostas musicais, para o final de semana, de celebrado a Independência Nacional: uma dedicada ao Jazz, no dia 9 de Novembro e outra ao Semba e outros ritmos nacionais, 11 de Novembro
A primeira foi o JazzéFixe, com as cantoras, Aylasa, Unekka e Sara Saka para abertura doprojecto que se propõe abordar as dinâmicas jazzísticas em palco A Banda Ixi Rises abriu com um tema instrumental, depois seguiram-se as cantoras: Sara Saka, Unekka e Aykasa respectivamente. Depois as artistas foram intercalando em palco, com alguns momentos da banda de serviço. As três vozes proporcionaram momentos agradáveis, com um estilo estético-melódico que promete uma auto-afirmação de cada uma delas num futuro próximo, quer seja no panorama musical angolana e até mesmo alem fronteiras.
Sara Saka uma voz que vai aparecendo em espaços como Alvalade 61, Chá de Caxinde, onde participou no espectáculo de Filipe Mukenga, dentre outros projectos artístico, como Nzola Spoken Word e como corista no concerto de Mck. Sara é uma jovem estudante universitária de comunicação tem uma forte inclinação pelo Jazz, Soul, música contemporânea a e alternativa.
Aylasa é uma cantora que nos últimos tempos tem despontado no circuito da música alternativa e em bares, também participou na última edição do Festival da Canção da LAC e no Show do Mês, o Bar das Emoções. Aos 14 anos lançou-se aos palcos, tendo apostado na canção e composição nos últimos cinco anos. Em paralelo as suas aparições individuais é vocalista da banda feminina Ukãi. As suas grandes influências são Amy Winehouse, Aline Frazão, Totó St, Carlos Praia, Tom Jobim, Elis Regina dentre outros.
Unekka jovem natural do Sumbe, residente em Luanda tem conquistado o seu espaço nas casas, onde a “chamada música alternativa faz morada,com regularidade desde 2015. Formada em gestão, como cantora e professora de violão aposta na World Music, Jazz, Blues, Reggae, Soulmusic, as suas influências ´passam de Ayo, Baba Mal, Asa, Nneka, Nina Simone, Sara Tavares, Jazz, blues, Reggae, Semba, dentre outros estilos. Membro da Associação Afrocracia, desenvolve o projecto social Tchinganje e batuque,  usa a arte como um forte veículo de consciencialização.
A segunda aconteceu na segunda-feira, no dia 11 de Novembro e feriado Nacional, e os estilos da música popular e urbana estiveram em destaque, com a Banda Welwitchia no suporte instrumental. Os artistas Legalise, Guilhermino, Dennis Sammaya e Toni do Fumo Filho fizeram uma incursão aos ritmos nacionais e uma single homenagem à Chico Montenegro. Com a Banda Welwitchia que reuniu grandes executantes como: Carlos Timóteo “Calili”, Joãozinho Morgado, Zeca Tirilene, Raúl Tollingas, Sankara que teve a responsabilidade de substituir, Botto Trindade e o reforço de Lito Graça e Josué nos teclados,  os artistas Legalise, Guilhermino e Tony do Fumo Filho marcaram presenças com temas do seu reportório e que marcam o cancioneiro nacional. Um outro convidado é Dennis Samaya, jovem músico que levou uma proposta fusionada.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Duque de Katete faz hoje estreia no mercado

Duque de Katete apresenta hoje, às 9h00, na Praça da Independência, em Luanda, o primeiro disco intitulado “Kinjingu”, em homenagem aos familiares já falecidos, durante uma sessão de venda e assinatura de autógrafos.




 
O músico volta a a promover amanhã, à mesma hora, uma sessão idêntica, no Parque do Belas Shopping, no município de Talatona.
O disco, cujo nome, que em quimbundo, significa “honrar”, tem 11 temas cantados em semba e misturas latinas. Em declarações, ao Jornal de Angola, Duque de Katete disse que explora estilos como rumba e bolero.
Uma das características do disco, disse, foi dar ênfase à percussão, em particular aos batuques. Gravado em Luanda “Kinjungu”, realçou, foi produzido por Alex Samba. Tem a participação dos consagrados cantores Raul Tollingas, Brando, do agrupamento Os Kiezos, Tony Samba, Xico Santos, Zé Mueleputo, Nela do Som, Carlitos Chiema, Pedrito, dos Versáteis, Dulce Trindade e Mister Kim.
Com cinco mil discos produzidos, Duque de Katete faz da música uma “fonte terapêutica”, cujos temas como “Ymbwa Yami” e “Maria Barbosa” tem mensagens sobre aspectos ligados à vida social dos angolanos. “É uma homenagem aos meus pais, irmãos e filhos já falecidos. Falo, também, sobre Deus, solidariedade e inveja”, disse o músico.


Fonte. Jornal de Angola

Ary encanta no Show do Mês da Nova Energia


Ary animou as duas noites do consagrado e exigente palco do Show do Mês, proposta da Nova Energia. Artista versátil, é uma das populares e consistentes dos últimos quinze anos. A abertura foi com “Paga que Paga”, seguindo-se outros sucessos e temas de cantores que marcaram a carreira de Ary.
O recurso ao passado foi feita com “Não me faças desistir”, “Meu grande Amor” e “Tá Amarrado”.Mig, o primeiro cantor convidado a escalar o palco, reapareceu com “Maka Mami”, um dueto com Ary que uma chuva de aplausos da plateia. Um momento do medley onde constavam temas como “Monami”, “Mona Kinguixi” e “Candinha”. Com o grupo Nguami Maka, Ary interpretou “Nguxi” e “Manazinha”.
Ary ontem no palco da Nova Energia viajou por outras sonoridades, passou por Portugal, interpretando um clássico do velho e omnipresente fado, com nem “Nem as paredes confesso”, fez uma paragem no Brasil com o samba “Para uso exclusivo” e encerrou em Moçambique com a  balada romântica “Amor Roubado” de Guilherme Silva.
Outros sucessos fizeram parte do alinhamento como “Escangalha”, “Amor da minha vida”, “Despedida do Lar”, “Decepcion” “Funje na Cachupa” que mostra uma faceta pouco conhecida do Dr. Eugénio Neto, a de compositor.
Ary terminou em festa como é a sua marca, mediante uma miscelânea de “Ngapa” dos Irmãos Almeida, “Esse Madié”, Eduardo Paim, bem concluído com Betinho.